domingo, 16 de abril de 2017

Delações - a mudança possível

Graças à democratização da comunicação proporcionada pela tecnologia a população começou a conhecer o modus operandi do Estado brasileiro. A partir do momento que o Congresso aprovou as denominadas "delações" no ano de 2013 o Brasil toma conhecimento de forma estarrecedora dos meandros escuros da relação Estado-Privado atingindo, neste momento, abril de 2017, apenas os poderes Legislativo e Executivo, mas que ainda deve alcançar o Judiciário mais à frente. O  esgoto aberto e vazando da promiscua relação das elites dirigentes e os segmentos privados da economia tem um fedor que deve permanecer na atmosfera por muito tempo e não se teria ideia ainda como estancar. A elite dirigente sempre enxergou o Estado como instrumento de afirmação e expansão de interesses de poucos privilegiados e nunca movida pelo espírito republicano na condução dos negócios do Estado.
Todos os ex-presidentes, desde a redemocratização, afirmaram no poder se utilizando de expedientes nada republicanos, sendo de memória mais viva as denúncias de ilícitos por conta da privatização no governo FHC que não prosperaram e nisto o apelido "Engavetador Mor" estampado para o Procurador da República. Aliás, ainda no governo FHC uma das denúncias maiores teria sido a compra de votos para fazer aprovar no Congresso a PEC que aceitaria a reeleição.
E nesse momento, em meio a um mau cheiro quase insuportável, o Congresso discute a reforma Previdência sem participação ativa da sociedade. Os economistas do governo dizem que o deficit precisaria ser combatido para garantir o futuro da previdência e, para tanto, a sociedade civil, em especial, os trabalhadores do setor privado devem "apertar o cinto". Nada se diz do setor público que consome 500 bilhões de reais para atender a um (1) milhão de contribuintes, enquanto o setor privado consome 1,5 trilhão de reais para 33 milhões de brasileiros. Portanto, o problema estaria no setor público, mas a conta será espetada no setor privado que tem aposentadoria média de R$1600,00 contra R$28.000, média, do setor público. Isso é uma extravagante e injusta transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos. É o perverso "Efeito São Matheus" em evidência. E ainda não se consideraria a tributação que exigiria uma urgente reforma.  No Brasil a tributação incide principalmente nos serviços, enquanto impostos mínimos na renda, dividendos, patrimônio e herança.
O Brasil está doente e a solução política ainda não se vislumbraria.


domingo, 22 de janeiro de 2017

Cicloviagem no Circuito Vale Europeu, SC, Brasil

Um belíssimo pedal realizado em agosto, 2016, no Circuito Vale Europeu, Santa Catarina, Brasil.

Nivel civilizatório ladeira abaixo

O nível civilizatório do Brasil rola ladeira abaixo.
O saudoso antropólogo Darcy Ribeiro alertou as elites há 20 anos atrás que se não houvesse investimento pesado em educação o Brasil não teria dinheiro para construir presídios. Caramba, acertou na mosca!
A economia brasileira encolhida e as medidas econômicas contemplando restringir mais ainda os investimentos em políticas públicas cobram caro de quem com menos poder econômico. Essa política econômica é sempre a reposta selecionada de quem não consegue pensar fora da caixa e que já mostrou no Brasil e em vários países apenas tornar mais difícil a vida de quem menos protegido pelo sistema. Até o FMI que sempre recomendou essa política de restrição orçamentária mudou a recomendação para os países membros. O governo Obama emitiu dólar e recuperou a economia americana no início do primeiro mandato. Hoje EUA tem o menor índice de desemprego (abaixo de 6%) e a economia cresce 2,4%,
Além da degradação dos serviços públicos essenciais como educação, saúde, mobilidade e segurança, agora acrescenta a explosão da barbárie nas masmorras brasileiras  como resposta ao serviço de um judiciário mais caro do mundo e ineficiente. As elites brasileiras nas três esferas de poder, mas principalmente na esfera federal, não tem estofo cultural e moral para dar as respostas que a sociedade brasileira esperaria para tantos desafios. É uma elite que enxerga apenas as tetas do Estado para manter o seu status pleno de privilégios. Reformas? Ah, sim, contanto que as medidas não alcance, ou mexa, com os seus privilégios (vide Servidores Públicos, tais como Poder Judiciário e Militares). Supersalários? Sem pejo, isso pode e não visto como expropriação indevida e imoral.
Brasil, triste Brasil.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Alugo Apto para temporada em Joinville,SC

Apartamento "Home Office" - confortável espaço

Joinville, Santa Catarina, Brasil
Meu espaço tem fácil acesso ao centro da cidade, restaurantes, Shopping Miller, museus e supermercados. Próximo da rodovia BR101 (300 m) com fácil acesso para Curitiba,PR, ou Florianópolis,SC e ao ...

terça-feira, 28 de junho de 2016

10 anos de operação Isoflama, julho 2016

Em julho de 2006, dia 21, a Isoflama dava início às operações de processos térmicos a vácuo de aços ferramenta para a indústria metal mecânica do Brasil com uma carga de 250 kg de matrizes para conformação a frio em aço AISI D2. 
A Isoflama começou, efetivamente, quando reunidos Thomas H Heiliger, Marco Antonio Manz e eu, meados de 2004, para discutir a formação de uma empresa, originalmente, para oferecer processo termoquímico de nitretação a gás com controle do potencial de nitrogênio. Depois de pesquisa de mercado e análise de retorno financeiro, optou-se em começar com processos de têmpera e revenimentos a vácuo. 
Meados de 2004, mantivemos contato com fabricantes europeus e americanos para solicitar orçamentos de um forno de têmpera a vácuo e revenimento a vácuo, sendo ambos de dimensões 600x600x900 mm, capacidade da ordem de 1000 kg. E de vários fabricantes, destacou-se o orçamento da empresa Seco-Warwick com bastantes detalhes técnicos. Alguns fabricantes não deram tanta importância à solicitação de cotação uma vez que a empresa ainda não existia e simplesmente produziram a informação em uma folha de tamanho A4. Os preços de todos os fabricantes não apresentavam grandes diferenças. 
A análise dos orçamentos dos fornos exigia esmiuçar, estudar, a constituição técnica do forno de têmpera e revenimento para permitir uma correta seleção e comparação entre todas as ofertas. Enquanto isso acontecia o Representante Seco-Warwick nos EUA manteve contato via fone manifestando interesse em nos conhecer, uma vez que precisava fazer uma viagem à empresa Audi,Curitiba,PR, e queria aproveitar este momento, Concordamos em receber esse representante em Campinas,SP, que estaria no Brasil duas semanas depois do primeiro contato. E uma semana antes da chegada, esse representante nos contatou para informar que o Presidente Seco-Warwick estaria no Brasil e também mostrava interesse em participar dessa reunião. Assim, refizemos a reserva em hotel no centro de Campinas,SP, para receber ambos.E na manhã do domingo, 15, novembro de 2004, redigimos os nomes desses funcionários S-W numa folha de papel A4 e fomos recepcioná-los no aeroporto Guarulhos,SP. Depois de alguma espera se aproxima uma Pessoa em calça jeans, tênis e boné vermelho, que pega o meu cartaz e o gira 180° - nome polonês extenso, com muitas consoantes e poucas sílabas - pois o nome estava em posição invertida e, em seguida, diz em inglês "that´s me", apontando para o cartaz e o próprio peito. Todos que viram a cena caíram na risada. Uma recepção descontraída que prenunciava bons fluídos à frente. 
A nossa reunião aconteceu no mesmo domingo, à tarde, logo depois do almoço, na área de eventos do hotel, Campinas,SP. Começamos apresentando os nossos currículos e o Brasil para aspectos culturais, políticos e indicadores econômicos. Na sequência, apresentamos uns 30 slides sobre a indústria brasileira relativo ao mercado metal mecânico e ao consumo de aços ferramenta, status de fornos de têmpera a vácuo para serviços e "in house", principais empresas de serviços, preços, e etc..Na sequência, a Seco-Warwick detalhou tecnicamente os fornos de têmpera e revenimentos a vácuo e ao final discutimos exaustivamente aspectos técnicos dos equipamentos. Essa reunião se estendeu por mais de seis (6) horas, quando decidimos interromper para jantar e deixar as dúvidas levantadas para esclarecimentos posteriores, via e-mail. O mais importante a ressaltar dessa reunião é que o Presidente S-W gostou do projeto que apresentamos e vaticinou que deveríamos seguir adiante e não hesitar, pois reuníamos excelentes condições de lograr sucesso. E para completar, o Presidente S-W concluiu com uma frase que foi música para nossos ouvidos: declarou que assim que retornasse para a Polônia providenciaria uma revisão dos preços dos fornos de têmpera e revenimento a vácuo que viabilizaria o nosso projeto. A S-W também tinha interesse nesse sucesso para tornar a Isoflama "show room" na América Latina. Assim, quando recebemos os novos valores para os fornos concluímos que seria mesmo irrecusável e avançar inevitável. E assim fizemos. Em março de 2005 criamos a Isoflama e, em seguida, iniciamos pesquisa de melhor cidade e local para construir a empresa.
O nome da empresa foi objeto de discussão durante algumas semanas. O primeiro nome que surgiu foi "Eisenkoch", em tradução literal "cozimento de ferro", que agradou, mas ainda torcíamos o nariz. Um nome estrangeiro tinha certo atrativo, apelo de marketing, mas o componente nacionalista de todos impedia aceitar isto facilmente. A mãe de Thomas então sugeriu o nome "Flama" que, a priori, agradava, mas ainda não seria o melhor. E para manter o nome "Flama" sugeri acrescentar, com duplo sentido, o prefixo "Iso" (do grego "igual") e sigla de "International Organization for Standardization". E quando se juntou Iso+Flama formando ISOFLAMA concluímos que tínhamos definido o nome.
A Isoflama nasceu com a visão de se tornar referência em qualidade técnica, transparência, ética, respeito ao meio ambiente e com uma formatação de equipamentos de tecnologia avançada para oferecer serviços únicos, especiais, em termos de acabamento final das peças. A formatação "têmpera a vácuo" +"revenimentos a vácuo", além de atender a esses desejos, também permitir reproduzir e melhorar resultados reproduzindo o conceito de excelência do filósofo Aristóteles que diz "fazemos melhor aquilo que repetidamente insistimos em melhorar. A excelência não deve ser uma busca, mas sim um hábito".   Além disso, a Isoflama foi concebida e projetada para receber e, posteriormente, simplesmente "ligar na tomada" novos equipamentos conforme ocorressem as aquisições. E foi assim que ao longo de 10 anos, sem a necessidade de recorrer a financiamentos, a Isoflama foi adicionando novos equipamentos até alcançar a configuração atual de dois (2) fornos de têmpera a vácuo; três (3) fornos de revenimentos a vácuo; e dois (2) reatores de nitretação a plasma.E ainda deve acrescentar novos equipamentos e processos até 2020. 
Concluindo, um breve relato de como começou a Isoflama. Os primeiros meses, anos, não foram nada fáceis, mas isto é uma outra história...Cabe registrar aqui que esses 10 anos de operação são resultados de esforços coletivos e nessa história cabe todos os Colaboradores atuais e aqueles que passaram pela Isoflama. É isso!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Tensão Residual - Tratamento Térmico

Durante o tratamento térmico dos aços são criadas tensões resultantes da conjugação das
variações volumétricas provenientes não apenas dos gradientes térmicos, mas também das
transformações de fase.
Para a situação de aquecimento a uma determinada temperatura e resfriamento de um volume de
aço sem transformações de fases, o quadro final de tensões será de compressão na superfície e
tração no núcleo. Para a situação de resfriamento onde presente a transformação de fase, além
das variações volumétricas de origem puramente térmica, também variações volumétricas
resultantes das alterações estruturais. Assim o quadro final de tensões será a somatória das
tensões de origem térmica com as de origem estruturais.
As Figuras abaixo ilustram as diferentes situações de resfriamento com transformação de fase
(“austenita–martensita”).


















Breve descrição das ilustrações (a), (b) e (c):

(a)   Transformação da superfície ocorre antes de atingida a máxima diferença de temperaturas superfície e centro da peça:  quadro de tensões tração na superfície e compressão núcleo;
(b)   Transformação da superfície ocorre depois de atingida a máxima diferença de temperaturas superfície e centro da peça: quadro de tensões de compressão na superfície e tração no núcleo;
(c)    Transformação do centro inicia mais tarde que a superfície, mas termina antes: estado final de tensões equivalente a de um resfriamento lento (compressão na superfície e tração no núcleo).
Bibliografia
[2] – Tensões residuais térmicas obtidas da temera e martempera a vácuo do aço AISI H13 - R. N. Penha, J. C. Vendramim, L. C. F. Canale – Seminário TTT 2012
[3] Failures Related to Heat Treating Operations - G.E. Totten, G.E. Totten & Associates, Inc.; M. Narazaki, Utsunomia University (Japan); R.R. Blackwood, Tenaxol Inc

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Caminho Central de Compostela

Fim de setembro e primeira quinzena de outubro, 2015, Iara, companheira, e eu, realizamos o Caminho Central de Santiago de Compostela. Iara, peregrina, realizou o percurso Porto-Santiago de Compostela a pé, totalizando 260 km em 13 dias. E eu, bicigrino, realizei o trecho Lisboa-Coimbra-Porto-Valença do Minho e Santiago de Compostela em bicicleta, totalizando 705 km.
O meu caminho começou em Lisboa na companhia de três ciclistas, sendo brasileiros de São Paulo (Datti) e de Campinas,SP (Leonardo), e outro espanhol da ilha das Canárias. Nós, brasileiros, tínhamos 15 dias para realizar as pedaladas, enquanto o espanhol apenas 9 dias. Todos completaram com sucesso o planejado, sendo que o espanhol largou à frente depois da cidade chamada Santarém. O nosso projeto de pedaladas consistia de apreciar os lugares, conversar com as Pessoas pelo caminho, realizar fotos, videos e fazer, em média, 55 km/dia.
Cruzei o Caminho com a Iara quando na trilha próximo à cidade Padron, Galícia, a 25 km de Santiago, e no dia seguinte, caminhamos juntos (eu empurrando a bicicleta) na companhia de vários peregrinos: portugueses, espanhóis, franceses e alemães.
O Caminho Central Português é realizado quase 80% em trilhas muito bem sinalizadas por setas amarelas e, ou conchas, símbolo de Santiago de Compostela. Essas trilhas acompanham, aproximadamente, as estradas vicinais que ligam cada cidade. Em dado momento, quando próximo de alguma cidade, ou aldeia, pode cruzar e, ou, caminhar por alguns metros, ou quilômetros, pela estrada vicinal. As estradas vicinais são evitadas e isto torna a viagem muito mais saborosa, agradável e segura. E os Peregrinos / Bicigrinos quando se encontram trocam a saudação "Bom Caminho".
O Caminho português revelou um Portugal que não conhecia, apesar de terceira viagem a este país. Mostrou um Portugal de belas paisagens, harmoniosa arquitetura antigo-moderno, belas aldeias, áreas produtivas de uvas, pêssegos, maçãs,e outras frutas, um português gentil, generoso e de respeito ao ciclistas quando em estradas vicinais. E também uma surpresa revelar que o custo de vida pode ser mais barato que o Brasil. A hospedagem em albergues públicos e hostels de alta qualidade - quartos, banheiros e cozinha compartilhados e limpos - com preços oscilando de E$5 a E$17. E comida nos restaurantes próximos aos albergues e hostels de preços entre E$7 a E$10, que consiste basicamente de primeiro e segundo pratos, acompanhado de água e sobremesa, ou café expresso. Quando acompanhado de cerveja, ou vinho, acrescia E$1 a E$3. Realmente causou espanto, grata surpresa, o fato de hospedagem e comida de boa qualidade com preços inferiores ao que se pagaria no Brasil. E maior surpresa ainda é realizar todo o caminho - seja a pé, ou de bicicleta - em total segurança. Cruzei com o primeiro carro de polícia quando próximo da fronteira de Portugal e Espanha. Jamais se poderia realizar um caminho parecido no Brasil sem correr elevado risco de assalto.
Santiago de Compostela foi alcançada no 13° dia numa bela manhã de sol, mas temperatura caindo para 12 °C, e à tarde começando uma chuva. Em Santiago nos abrigamos no albergue público chamado "Seminário Menor", localizado a 400 m, aproximadamente, do Centro Histórico da cidade. Esse "Seminário Menor" é uma grande construção do século XVII que produziu padres para toda a Europa e Américas em momentos áureos e hoje serve para abrigar mais de 300 Peregrinos. Tem uma excelente infraestrutura para hospedar com razoável conforto e uma boa cozinha e lavanderia comunitários com pequeno mercado. Enfim, a hospedagem nada deve à todas as outras encontradas pelo Caminho, sendo que selecionaria os melhores albergues de Porto, Rubiães, Valença do Minho e Pontevedra. E os melhores hostels: Santarém, Tomar e Vila do Conde. Aliás, em Vila do Conde, hostel com decoração de muito bom gosto trazendo várias inscrições e frases bem humoradas nas paredes de quartos, corredores e cozinha. No meu quarto tinha um desenho em toda a extensão da parede com as figuras de Cristo, Marx e Einstein, e acima de cada um as inscrições: "everything is love", "everything is money" e, finalmente, Einstein, "everything is relative".
Em Santiago de Compostela, no 15° dia, embarcamos em avião para Milano, Itália, encerrando a aventura. Uma bela e prazerosa aventura.
O Caminho San Jean, França, será a próxima!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

16 de agosto e as crises: política e econômica

Desde a minha última postagem, julho, 17, até esta data muita água correu nesse moinho da realidade brasileira. E nisso, algumas modificações....
Todos conhecem o bla bla bla para crise / oportunidades e o contexto econômico atual, agosto 2015. O fato inédito que vemos neste momento da economia brasileira desde a Constituição 88 é a dimensão da crise política. Por mais que a mídia superdimensione a crise econômica, a crise política predominaria inconteste e contamina e ajuda expandir aquela. Quem tem um pouco mais de idade, como eu, sabe o que é crise econômica, pois vivenciou os trágicos governos do “dedo duro milico” João Figueiredo, Sarney e Collor. A crise política é exacerbada no Congresso uma vez que opera contra os interesses do Estado, do povo brasileiro, para preservar os “dedos” daqueles que podem perdê-los devido a operação Lava Jato. E a oposição enxergaria oportunidade para puxar o tapete de quem eleita e assim alcançar fácil o poder que não conseguiu via voto. Os erros do PT no primeiro mandato Dilma paralisam a economia no início do segundo, porém nada comparado aos “anos de chumbo” e os de Sarney e Collor.  O PT, como previsto, navegou fácil nas commodities do primeiro e segundo mandato Lula e proporcionou apenas incremento da população consumista que não se sustenta numa retração econômica; e, em paralelo, hospedou, tolerou e até se locupletou com a corrupção. Vai pagar preço caro pelo desmando e por rasgar compromissos valiosos à legenda antes de alcançar o poder.
Há pouco menos de uma semana da manifestação marcada para o dia 16 de agosto, 2015, com os motes contra a corrupção, PT e impeachment Dilma, acusei dezenas de mensagens convocatórias nas mídias eletrônicas: e-mails, SMS, "Whatsapp", "facebook", etc... É uma profusão de mensagens de teores cada vez mais contundentes e de forte inspiração fascista. Tem gente saudosa da ditadura militar e que tem no deputado Jair Bolsanaro modelo de político. Tive diferenças em relação ao PT no passado e rompi em 2003, porém estas não seriam as mesmas da intensa campanha promovida por  grupos como “Venha pra Rua”, “Revoltados on Line”, PSDB, Blogs e outros. O PT é importante para a democracia brasileira e tem história. Seria interessante estar nessa manifestação para dar uma resposta contra a corrupção, mas sem apoiar o impeachment Dilma e atuar como sugere o poeta Eduardo Alves da Costa no belo poema "No Caminho, com Maiakóvski" (*), parte deste reproduzida abaixo. E protestar contra o PT, mas rejeitando a campanha fascista. Porém essa campanha toma dimensões perigosas, inclusive fisicamente, para quem como eu desejaria apenas marcar posição pela construção de um Brasil republicano. E nesse ambiente que as mensagens eletrônicas denunciam seria quase suicídio!
Enfim, desisti de estar presente nessa manifestação. Vou protestar de outras formas, pois, parodiando Milton Nascimento, “qualquer maneira de protestar vale a pena”!
(*) Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada
.


Poema publicado no livro 'Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século', organizado por José Nêumanne Pinto, pag. 218.

sábado, 25 de julho de 2015

"O Uruguai não está doidão"

Li com satisfação o texto do jornalista Luis Carvesan sobre a liberação da Maconha no Uruguay. Poder fumar essa erva sem a espada do Estado sobre a cabeça é uma boa notícia. Esse país que conheci há poucos anos atrás é realmente espetacular, sob vários aspectos.
Abaixo, o texto de Luis Caversan:
"O Uruguay não estão doidão"
Pelo que pude constatar e pelo que apreendi em conversar com gente da rua ou jornalistas conhecidos, está tudo mais ou mesmo como sempre foi, ou seja, o uruguaio que sempre fumou continua fumando, mas agora sem depender exclusivamente do tráfico e da maconha de má qualidade contrabandeada do Paraguai.
E não há estudos conclusivos feitos pelo governo ou órgãos independentes que deem conta de uma adesão massiva, sobretudo por parte dos jovens, ao hábito agora legal.
A lei aprovada, já há dois anos no governo do ex-presidente José Mujica, está em pleno vigor e continua em sua implantação lenta mas segura. Ou seja, é permitido o cultivo de até seis pés de cannabis por qualquer cidadão em sua casa, é permitida a formação de clubes de fumadores, que podem compartilhar entre si o produto de usas plantações particulares, e permanece em estudo a implantação da venda da erva para o consumo recreativo, por parte do próprio governo, em farmácias.
O que significa dizer que o consumo está legalizado e liberado no país, e basta uma voltinha pelas simpáticas e históricas ruas da cidade velha de Montevidéu para constatar isso, por meio do aroma da erva que pode ser sentido aqui e ali ou pelo cidadão que, sentado tranquilamente num banco de praça prepara sem problemas seu cigarrinho, para consumi-lo aonde lhe aprouver.
Ninguém vai preso por fumar maconha, este é o grande diferencial proporcionado pelo Uruguai no debate internacional sobre as políticas de drogas, sobretudo num momento importante em que os próprios Estados Unidos, mantenedor durante décadas do conceito de guerra às drogas –por meio da força militarizada e armada– procura novos caminhos para enfrentar o problema, inclusive procurando redimensioná-lo.
Nos próximos dias que permaneço neste país simpático, acolhedor, de gastronomia peculiar e vinhos fantásticos devo colher novas informações a respeito deste tema, que será novamente abordado na semana que vem.
Por enquanto o que dá para afirmar tranquilamente é: os uruguaios não estão doidões, ok?



sábado, 18 de julho de 2015

À rua, agosto, 16, 2015

O povo brasileiro é convocado para estar na rua, agosto, 16, 2015, e protestar contra a corrupção e impeachment de Dilma. A campanha é promovida por vários blogs e endossada por PSDB, Aécio Neves, partido hipócrita que, como todos os outros partidos, sempre recebeu doações pecuniárias de fontes privadas que mantém relações com empresas estatais.
Enfim, isso pouco importaria agora, pois a manifestação é válida e expressão livre da vontade dos brasileiros em estar sujeito da construção de um Brasil republicano, virando a página de um Estado promíscuo, corrupto, que prevarica ao não respeitar quem constrói a riqueza e coloca esta nas mãos de administradores públicos que devem se orientar pelo ótica da república, do interesse público. Os brasileiros e brasileiras querem um país que produza riqueza, paga impostos e estes, corretamente administrados, retornem em serviços de qualidade: saúde, educação, infraestrutura e justiça.
Não sou adepto do pedido de impeachment de Dilma neste momento, mas vale dentro do jogo democrático. E o impeachment de Dilma, se tivesse sucesso, colocaria o Brasil nas mãos de políticos piores ainda, pois com vida política nada ilibada e bem conhecida de todos: Renan e Cunha. Aliás, Cunha, no dia 16 de julho 2015, reagiu com o estômago à delação de ex-lobista da Camargo Correa, Julio Camargo, de que teria recebido R$5milhões deste para poder manter contrato desta empresa com a Petrobrás. Essa e outras denuncias colocam o presidente da Câmara dos Deputados na berlinda, segundo na escala para assumir a Presidência da República. Em vista disso, esse deputado já articula na Câmara dos Deputados para criar mais dificuldades ao debilitado governo federal que tem problemas gigantescos para superar os erros de política econômica cometidos no primeiro mandato. Esse é o tipo de político não republicano que as manifestações de rua do povo brasileiro deseja extirpar, pois câncer político.
Estarei nas ruas para defender esses propósitos! Exercitar cidadania! Vamos lá, povo brasileiro!

domingo, 5 de julho de 2015

Crepúsculo de uma empresa

2015 o Brasil sofre com o marasmo político e econômico.
Na política temos o avanço dos setores conservadores desenvolvendo uma agenda anacrônica na Câmara dos Deputados. Esse segmento, principalmente os da chamada "bancada evangélica", aprova projetos, alguns constitucionais, como é o caso da redução da maioridade penal, expressando vontades e valores morais de ordem pessoal, religiosa, e não do país.Visão política tacanha e oportunista.
Na economia, governo esperneando para aprovar projetos de "ajustes econômicos" na Câmara na expectativa de corrigir erros (!?) da gestão do governo anterior que privilegiou o consumo para transferir renda e inclusão, não realizando investimentos, principalmente, em educação, saúde e infraestruturas. As medidas econômicas de ajustes aprovadas já produzem efeitos como incremento de juros, aumento de desemprego e redução da demanda (consumo) com a perspectiva de que estas medidas surtam os efeitos desejados. São medidas conhecidas do povo brasileiro que conhece o resultado penoso destas cair somente sobre o seu lombo e não produzir os melhores resultados.
Além disso, paira no ar o espectro do impeachment da Presidente (com "e") em razão de "pedaladas fiscais" no fim do governo 2014 e, principalmente, das bombas lançadas pela operação "Lava Jato", ou "Petrolão", que desnudam as vergonhosas e corruptas relações Estado com o setor privado. E confirma que o partido político de sustentação do governo Dilma (PT) há muito tempo deixou de lado o projeto político de progresso, avanço político,ética, trocado pelo projeto de poder. Poder que pode escapar rapidamente e dificilmente retornar, pois a credibilidade do PT está na sarjeta.
E nisso tudo, recebo com consternação a notícia de empresa estrangeira que adquiriu uma empresa brasileira em 2006, Brasimet, líder de mercado na arte dos processos térmicos para terceiros, aliás onde trabalhei por 12 anos, sendo esta uma "escola" para mim, desistir do Brasil em 2015. O grupo inglês Bodycote de grande presença no continente europeu que comprou a Brasimet não logrou exito em manter a tradição desta. Colaboradores perdem empregos e investidores estrangeiros certamente podem adiar investimentos quando tomam conhecimento dessa desistência. Compreensível esse desfecho melancólico quando o macroambiente mostra custos crescentes, demanda encolhendo, produtividade baixa e resultados financeiros pífios. As empresas brasileiras desse setor industrial, entre estas a empresa onde trabalho (Isoflama), podem se beneficiar a curto prazo da saída da Bodycote do mercado, mas no longo prazo o Brasil perde.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Fuzilamento na Indonésia

O brasileiro Marco Archer foi fuzilado em 18 de janeiro de 2015 apesar dos apelos de clemência da Presidente Dilma ao governo Indonésia. E em abril de 2015 outro brasileiro Rodrigo Muxfeldt, mesmo com quadro clinico de esquizofrenia paranoide, pode ter o mesmo destino. O governo brasileiro deve mesmo pedir clemência e fazer protesto nos órgãos internacionais de Direitos Humanos contra essa barbárie. Açoite, apedrejamento, enforcamento, fuzilamento são penas medievais e presentes em muitos países, inclusive aqueles de elevado IDH.
A política insistentemente utilizada de combate ao tráfico de drogas é equivalente a enxugar gelo e refletiria loucura, pois sempre com os mesmos resultados em todos os lugares: violência e violência e muita dor para aqueles que desenvolvem doenças em consequência do uso. O Estado deveria se ocupar em desenvolver programas de Educação e Saúde para atender àqueles que desenvolvem a doença pelo uso de drogas. Drogas, assim, como a prostituição, não tem como combater e deveria estar liberada para produção controlada (pagar pesado imposto para sustentar programas de saúde pública) e utilização sem restrições. O Estado não deve se ocupar com o que cidadão come, bebe, cheira, injeta, ou fuma, mas apenas com as ações deste se rasgar o direito do "outro". Os malefícios das drogas sempre estarão presentes e nunca eliminados, mas apenas mitigados, assim como hoje se faz para quaisquer drogas nos vários programas tipo "AA" (alcoólicos anônimos), "NA" (narcóticos anônimos", "Vigilantes do Peso", etc...
É duro, difícil, mas é o livre arbítrio da Pessoa que deveria predominar!